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Pequena História da Escola da Mãe de Misericórdia
As Irmãs de Caridade da Mãe de Misericórdia, morando no bairro do Mario Andreazza, situada na cidade de Bayeux, começaram em 1998 a perceber alguns dos muitos problemas que ali existem. Um deles é muitas crianças na rua. Procuramos saber o motivo. Algumas mães diziam que não podiam pagar escola, outras que não havia vaga nas creches e outras que a escola do município não aceitava crianças abaixo de sete anos.
Um outro problema, muito sério, era adolescentes que não sabiam ler já fazendo terceira e quarta séries e as escolas alegavam que não podiam reprovar mesmo sem saber ler. Famílias muito pobres, sem estrutura são totalmente excluídas da Educação Essencial. Como conseqüência, a partir dos sete anos vai estudar no município sem conhecimento nenhum da Educação Essencial e leva tempo para aprender o essencial e com isso chega às séries seguintes sem saber o necessário. A situação das familias é dolorosa demais. O desemprego tem como conseqüência o desajuste total. O álcool é muitas vezes, a droga que afeta a família. Não vendo outra saída deixa tudo como está.
Em 1999, vendo esta situação, após reflexões e questionamentos, começamos uma experiência com um pequeno grupo de 16 crianças, com duas turmas: maternal e jardim. Muitas famílias nos procuravam, mas o espaço era pequeno. A experiência era muito boa e por este motivo os pais nos procuravam, perguntando se íamos aumentar a turma. O espaço era um salão da comunidade onde havia muitas outras coisas. Arrumamos um pouco e deu para funcionar com um número maior. No ano 2000 matriculamos 45 crianças entre 3 e 6 anos de idade. Uma turma do maternal, uma do jardim e outra da alfa. A procura foi grande por causa do bom ensino infantil (além do ensino na educação essencial tentamos trabalhar o desenvolvimento e a dignidade da pessoa desde a infância). E com isso as famílias gostaram
da metodologia do ensino.
No final de 1999 a Congregação amplia o trabalho com crianças e adolescentes criando a Fundação Dom Helder Câmara na qual a escola Mãe de Misericórdia se integra.
A coordenação da Fundação (formada por irmãs e leigos), refletindo na possibilidade de encontrar solução para o problema colocado a cima, vivido no bairro, de modo especial pelas crianças entre 3 e 6 anos, tenta atender aos apelos constantes das famílias e atinge um número maior de crianças. Ciente da sua responsabilidade e do compromisso pela causa, transmite este apelo ao Conselho Geral da Congregação com o intuito de adquirir apoio financeiro a um projeto de construção de espaço físico mais amplo e adequado. O referido projeto foi aceito. No mês de agosto começou a construção da escola. Prédio próprio com cinco salas, um diretoria, uma sala para as educadoras, uma cozinha e um auditório para o lazer das crianças.
Em 2001 iniciamos o ano com quatro salas e setenta crianças; uma do maternal, uma do Jardim I, uma do Jardim II e uma da Alfa. Iniciamos o ano com uma celebração com os pais para batizar a escola e abençoar o ano.
Em 2002 iniciamos o ano letivo com cento e dez crianças e cinco educadores trabalhando conosco.
Em 2003 iniciamos o ano letivo com cento e vinte e seis crianças. Já podemos perceber que a procura é grande. Podemos pensar também na possibilidade, de nos próximos anos, funcionar em dois turnos. No momento funciona um só.
Alguns esclarecimentos: A contribuição das educadoras é de um projeto. Pedimos uma pequena contribuição dos pais para a manutenção da escola. Temos alguns voluntários que nos ajudam. Temos reuniões com os pais para o entrosamento. Durante o ano temos algumas festas para enriquecer o relacionamento.
Desde 1996 moram algumas irmãs no Conjunto Mário Andreazza, mais conhecido como Mutirão de Bayeux. Este bairro nasceu há 17 anos. Foi construído pela FAC (Fundação de Ação Comunitária),órgão governamental do Estado da Paraíba para atender desabrigados residentes em prédios públicos e famílias oriundas de favelas em área de risco da Grande João Pessoa.
Ao longo desse tempo o bairro continuou crescendo e hoje tem aproximadamente 25.000 (vinte e cinco mil) habitantes. Os problemas enfrentados por sua população vão desde a falta de infraestrutura básica (saneamento, calçamento, água tratada, etc.) até a falta de condições de sobrevivência. Parte da população sobrevive de pequenos comércios informais, são empregados da Prefeitura (que paga no máximo R$200.00) trabalham nas cidades circunvizinhas (os homens na construção civil e as mulheres em casas de famílias como empregadas domésticas), no entanto, na sua imensa maioria são biscateiros ou estão desempregados. Entre estes está a juventude que enfrenta a falta de perspectiva no futuro.
O bairro tem 4 escolas públicas onde estudam 4.418 jovens, adolescentes e adultos com forte desistência ao longo do período letivo.
Todos esses fatores: descaso do Estado, desestruturação familiar, baixa qualidade de educação, o baixo nível de renda das famílias nas comunidades da periferia e a precária infraestrutura urbana, favorecem a existência de um número significativo de crianças e adolescentes em situação de risco social, destacando-se o envolvimento crescente de adolescentes e até crianças com drogas, furtos, prostituição, formação de gangs, e violência.
A preocupação com a precariedade das condições de vida das crianças e dos adolescentes fez com que as Irmãs Maria José, Maria, Dalva e Aurélia, Ricardo Rian e Luciene Martins, juntos com algumas educadoras e educadores, profissionais e voluntários, se unissem num trabalho social, solidário e voluntário, cuja meta é, através de atividades esportivas, artísticas e educativas, desviar os pequenos dos riscos sociais e pessoais das ruas.
O trabalho é desenvolvido numa granja onde a casa central recebeu o nome de: Casa Joannes Zwijsen (Fundador da Congregação). Fizeram da instituição uma Fundação que foi batizada carinhosamente: Fundação Dom Helder Câmara.
Através do projeto "O Futuro depende de nós" a Fundação Dom Helder Câmara já promoveu diversas oficinas e cursos, entre eles: capoeira, danças folclóricas, futebol, vôlei, música, teatro, computação e artesanato.
As oficinas não têm apenas o objetivo de preencher o tempo, mas são ferramentas importantes para a educação dos alunos e alunas, e principalmente, na recuperação da auto-estima e da noção de responsabilidade, que é o maior objetivo do projeto.
A Fundação também realiza oficinas de tricô e crochê, arte culinária, informática e serigrafia, que futuramente podem ser meios de captação de renda para as famílias dos alunos.
A Fundação Dom Helder Câmara se preocupa em realizar um trabalho educativo com as crianças e um acompanhamento com as famílias. Essas atividades são feitas com palestras e cursos sobre sexualidade, afetividade, drogas, meio ambiente e cidadania, além de oficinas sobre o Estatuto da Criança e Adolescente.
Os agentes da Fundação também realizam visitas às residências das crianças e adolescentes, onde eles e elas podem diagnosticar a situação de cada família e adotar um atendimento personalizado. Algumas educadoras visitam também as escolas para assim fazer um trabalho bem integrado.
A Fundação está funcionando há três anos. Muita coisa boa aconteceu. Estão construindo agora a quadra de esportes. Quando esta estiver pronta, contaremos mais sobre este benefício e também sobre tudo de bom desenvolvido na Fundação Dom Helder Câmara.
A violência e o individualismo flagelam o mundo de hoje. Sentimos as conseqüências disso no meio de nós. Uma fome espiritual invade os corações, com o desejo de se encontrar com Deus. Essa fome real não se limita a uma classe social. A fome abrange rico e pobre, leigo e religioso, mulheres e homens. É a procura de Deus fiel, que ama, e que é revelado em Jesus.
Como se relacionar com este Jesus?
Muitas religiosas, como também as nossas, hoje ajudam pessoas no acompanhamento espiritual para poder crescer no relacionamento com Deus e a descobrir a presença de Deus na sua vida.
Para isso participamos na Escola de Supervisão para Acompanhantes Espirituais, para chegar a um acompanhamento mais adequado e com a habilidade de discernimento.
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