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LIMINARIDADE,

 UMA MANEIRA DE SER

 

A realização da construção do reino de Deus é uma tarefa para todos nós, mas religiosos tem um papel especial nisto.  Eles devem  ser  gente da fronteira ou LIMINARES.

Para eles os liminares  se encontram no  meio do  mundo  e  devem

         dar uma contribuição ativa.

 

História do conceito

 

“Liminar” é derivada da palavra latina limen, que quer dizer soleira da porta.

Em 1909 foi usada pela primeira vez pelo antropólogo cultural Arnold van Gennep. Ele entendia pela liminaridade um momento em que fronteiras são ultrapassadas ou eliminadas.Van Gennep observou esse tipo de momentos durante os ritos de tribos africanos. Cada tribo indicou certas pessoas para executar os ritos. Na realização desses ritos alguma coisa foi efetuada nos executores e em toda a comunidade. Ritos provocam e mostram alguma coisa.

Exatamente nos momentos quando há inquietação podemos ver regras e normalidades de um grupo ou de uma sociedade. A questão é como uma sociedade trata disto. Nesses momentos alguma coisa muda numa sociedade.

É importante causar inquietação. Não adiantamos nada  com conversas fáceis e tranqüilizantes, trata-se de despertar a gente.

Joan Chittister também está convencida disso: “Eu não gostaria de ter vivido sem nunca ter causado inquietação a ninguém”, escreve ela.

O conceito liminaridade é perfeitamente isso. Liminares também são desordeiros. Devemos fazer opção. Devemos dizer: “isto não aceitamos”, ou “isto não devemos deixar passar”. Liminares, ou gente que vive na fronteira, devem questionar tudo que parece natural, devem agitar e pôr o povo em movimento. Isto só é possível se estamos conscientes das “normalidades” de uma sociedade. Isto somente pode  ver quando não está submersa nessa sociedade, porque quem está metida totalmente já não vê nada. Um liminar tem que saber o que está passando e no mesmo tempo deve guardar certa distância. Religiosos devem ser, por excelência, pessoas que se comportam como liminares, como vivendo na encruzilhada. Isso significa viver na encruzilhada do nosso mundo e o do Reino de Deus, exortando mulheres e homens a serem pioneiros dos valores do Reino de Deus. Esses liminares podem ser comparados com as pessoas que nas tribos são indicadas para efetuar os ritos. Alguém deve questionar. Por excelência os religiosos.

A questão não é se é necessário ou não que haja vida religiosa? Hoje em dia a questão é: a vida religiosa é suficientemente inquietadora para  responder às grandes necessidades e desafios do mundo?

        

A tarefa liminar

 

         Desde a sua relação com Deus e com as pessoas humanas os religiosos têm a missão  de serem críticos contra todas as formas de opressão e de empenhar-se por um mundo mais humano. Eles encontram-se na linha de encontro entre Deus e os homens. Assim podem ser um espelho para os outros, uma bússola para uma vida íntegra e mostrar aos outros um reflexo do Reino de Deus. Neste aspecto liminaridade é viver como profeta. Religiosos têm essa missão a partir da sua profissão. Os votos religiosos são uma maneira de dar forma a uma vida na encruzilhada. Isto nos  faz companheiros na caminhada, juntos caminhando para propagar valores como justiça e amor. Isto não é uma vida “fácil” mas uma vida cheia de atividade e criatividade na encruzilhada de relações entre as pessoas entre si e com Deus e a criação. Também exige consciência política. Liminares devem descobrir a injustiça no mundo e apresentar soluções alternativas. Aqui política e espiritualidade encontram-se. E exatamente por ser a injustiça tão grande devemos colaborar com movimentos que são mais amplos do que o Instituto Igreja.

 

Para Refletir:

 

  1. Liminaridade tem a ver com a vida numa posição limítrofe. O que é realmente viver em situação limítrofe? De que limites se trata e qual é a tarefa dos liminares? A que tipo de gente você daria o nome de liminares?

 

  1. Religiosos deviam ser, por excelência, pessoas que se comportam como liminares. Olhando para a realidade em nosso redor, a nossa vida   própria, onde podíamos ser liminares?

 

  1. Religiosos não devem fazer isso sozinhos. Colaborar é uma palavra-chave quando se trata de liminaridade. Como podemos na prática colaborar com os outros?

 

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